Com derrota de Messias, oposição volta ao páreo
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Com derrota de Messias, oposição volta ao páreo

Por André Marsiglia
30 de April, 2026
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André Marsiglia - 30/04/2026 10h41

Jorge Messias Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Ninguém esperava. A imprensa inteira ficou surpresa. Analistas foram pegos desprevenidos. Eu mesmo, na semana passada, cravei em meu artigo que Jorge Messias já estava aprovado. Acontece que a derrota histórica na sabatina de ontem não foi de Jorge Messias, mas de Lula e de seu governo. Foi assim que a oposição encarou o tema e se mobilizou. Como Messias é um petista indefectível, acabou pagando o preço.

Todos sabiam que Messias tinha saber jurídico limitado, mas, em uma Corte que abriga o vazio mental de um Dias Toffoli, é difícil crer que fosse esse o empecilho. Não foi. Messias tornou-se destinatário de um gesto potente de reprovação do Senado ao governo Lula.

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E ao STF, que vem submetendo, dia e noite, a oposição — e o Congresso como um todo — a seus desmandos e, nos bastidores, já convertia Messias em aliado de uma turma que comanda a Corte e, em certa medida, o país.

A oposição, nos últimos meses, parecia rendida, cansada, esperando o fim da legislatura como um time goleado que aguarda o apito final, com sorte, sem muitos acréscimos. Ledo engano. Voltou com firmeza ao jogo e derrotou seus adversários.

Pouco importa se Alcolumbre ajudou, se Lula já andava desgastado. Pouco importa se um clássico é vencido com um gol contra. Tudo isso faz parte da política e do jogo. Rejeitar um indicado ao STF, algo que não ocorria no Brasil há 132 anos, desde o governo Floriano Peixoto, não é trivial.

Com a vitória nas mãos e uma oposição robustecida, tudo se torna mais fácil. A derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria parece certa, e a derrota do próprio Lula nas urnas, mais próxima. Se o tabu da rejeição foi quebrado, quem sabe não se rompa também o do impeachment de ministro do STF? Por que não haveria clima para retomar a discussão sobre uma anistia ampla e verdadeira no país? É possível.

Se no Senado a oposição está conseguindo dialogar com Alcolumbre — agora declaradamente rompido com Lula — outras vitórias inéditas poderão ser obtidas antes das próximas eleições.

Seria nobre que o atual Senado deixasse aos que virão na próxima legislatura um gesto de hombridade institucional e altivez.

 

* Texto originalmente publicado no Poder360.

André Marsiglia é advogado, professor de Direito Constitucional e especialista em liberdade de expressão.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erro

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