O dossiê Mengele: O último mistério do nazista enterrado no Brasil
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O dossiê Mengele: O último mistério do nazista enterrado no Brasil

Por Lawrence Maximus
19 de May, 2026
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Imagem da Notícia: O dossiê Mengele: O último mistério do nazista enterrado no Brasil

Lawrence Maximus - 19/05/2026 17h19

Oficiais nazistas: Richard Baer, Josef Mengele (ao centro), Rudolf Hoess, em Auschwitz Foto: Domínio púlico

Enquanto a comunidade internacional clamava por justiça, um dos criminosos de guerra mais procurados da história vivia anonimamente sob o Sol brasileiro. Josef Mengele, o infame “Anjo da Morte” de Auschwitz, encontrou no Brasil seu último refúgio — e seu túmulo.

Mengele sabia que a Alemanha nazista havia perdido a guerra. Para evitar a captura e o julgamento em Nuremberg, ele rapidamente adotou o pseudônimo de Wolfgang Gerhard.

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Em 1961, após passagens pela Argentina, Uruguai e Paraguai, Josef Mengele cruzou a fronteira brasileira sob o pseudônimo de Peter Hochbichler. Não foi uma escolha aleatória: o Brasil, com suas vastas áreas rurais e comunidades de imigrantes europeus, oferecia o anonimato perfeito para quem carregava o peso de mais de 1 milhão de mortes nas costas.

Por décadas, historiadores como a suíça Regula Bochsler lutaram para acessar arquivos sobre a passagem de Mengele pela Europa — especialmente na Suíça, onde há indícios de que ele tenha passado férias com seu filho, Rolf, nos Alpes, em 1961.

Em 2025, após pressão pública e financiamento coletivo, o governo suíço anunciou a liberação parcial dos documentos — embora com censuras justificadas por “segurança nacional”.

Especialistas alertam que os arquivos podem revelar não apenas rotas de fuga, mas também conexões financeiras entre nazistas e instituições bancárias “neutras”.

Muitos desses especialistas dividem-se sobre o conteúdo esperado. Alguns acreditam que os arquivos mostrarão, em detalhes, a rede de apoio que permitiu Mengele transitar livremente pela Europa enquanto deveria ser um dos homens mais caçados do mundo. Outros apontam que a Suíça teme revelar não apenas sua leniência com nazistas, mas também o papel de seus bancos “neutros” no acolhimento de ouro e dinheiro hitleristas.

Há ainda quem compare o caso aos arquivos de Jeffrey Epstein: documentos que, quando divulgados, podem vir pesadamente censurados para proteger instituições e indivíduos poderosos. Independentemente disso, a liberação representa uma vitória para historiadores e para a memória histórica.

No Brasil, a abertura de arquivos sobre a presença nazista ainda é tímida. Historiadores apontam a necessidade de investigações mais profundas sobre como criminosos de guerra conseguiram viver impunemente por tanto tempo em território nacional.

Em suma, mais do que um relato biográfico, a vida de Mengele no Brasil é um convite à reflexão sobre memória, impunidade e responsabilidade histórica. Enquanto arquivos são abertos e novas evidências emergem, cabe à sociedade garantir que as lições do passado não sejam esquecidas — e que a justiça, mesmo tardia, nunca seja silenciada.

Lawrence Maximus é doutorando em Ciências Políticas pela Pontificia Universidad Católica Argentina. Como cientista político, especializado em Cooperação Internacional, desenvolveu em seu Mestrado pesquisa sobre a UNRWA e os eventos de 7 de outubro, analisando o duplo papel desempenhado por instituições internacionais em zonas de conflito. É embaixador do Yad Vashem (Formação em Holocausto e combate ao Antissemitismo pelo Museu do Holocausto de Jerusalém, Israel).

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