E aí? Vamos parar de chover no molhado?
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E aí? Vamos parar de chover no molhado?

Por Verônica Bareicha
07 de July, 2026
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Verônica Bareicha - 07/07/2026 10h37

Pleonasmos (Imagem ilustrativa) Foto: IA\Chat GPT

Como bons brasileiros que somos, guardamos, na gaveta, ainda que forçosamente, o sonho do hexa e seguimos a vida sem chover no molhado. Combinado?

Não sei por que essa frase me veio à mente para abrir o texto de hoje. Especificamente a expressão “chover no molhado”, que nada mais é do que continuar insistindo em algo que já não dá mais. E, pior, de forma redundante…

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Sim: essa expressão, embora seja ouvida com frequência, repete informações ou palavras com o mesmo significado. O que, em bom português, chamamos de pleonasmo. E é sobre isso que quero falar hoje, trazendo dicas para você de como melhorar a sua comunicação.

Pleonasmo significa superabundância; ele é classificado de duas formas: o pleonasmo vicioso, que devemos evitar a todo custo; e o pleonasmo estilístico, que é uma figura de linguagem, um recurso de estilo para dar à frase mais intensidade e beleza.

Então, pensando no vicioso, aquele que precisamos evitar, vou mostrar alguns a você e sugerir outras formas de falar e escrever a mesma coisa. Beleza?

Por exemplo:

Adiar para depois. O hexa foi adiado para depois. Já ouviu algo assim? Para melhorar essa informação é só dizer: adiar. Esse verbo já contém toda a informação que necessitamos. Portanto, o hexa foi adiado.

Ambos os dois. A palavra ambos já significa “os dois”. Então, basta dizer: Ambos.

Bater palmas com as mãos. Convenhamos: ninguém bate palmas com os pés. Logo, use apenas bater palmas.

Beber uma bebida. Diga apenas: beber. Afinal, quem bebe, bebe alguma bebida.

Cego dos olhos. Enxergamos através dos nossos olhos. Isso quer dizer que se os olhos são cegos; alguém já é cego. Portanto, use apenas: cego.

• Certeza absoluta. Uma certeza não deixa espaço para dúvidas, sabia? Então, use apenas certeza.

• Conclusão final. Toda conclusão encerra um raciocínio. É o fim, automaticamente. Portanto, use apenas conclusão.

Conhecer pela primeira vez. Se você conheceu alguém, automaticamente foi a primeira vez. Logo, use apenas conhecer.

• Consenso geral. Se existe consenso, ele já é coletivo, geral, de todos que pensaram a respeito de determinado assunto. Diga apenas consenso.

Descer para baixo. O próprio verbo descer já indica movimento para baixo. Use apenas descer.

• Dupla de dois. Veja: toda dupla é formada por duas pessoas ou dois elementos. Diga apenas dupla.

Elo de ligação. Esse é cruel… Um elo existe justamente para ligar uma coisa à outra. Use apenas elo.

Encarar de frente. Quem encara algo já encara de frente. Portanto, use só encarar.

Entrar para dentro. O verbo entrar já passa essa mensagem. Diga apenas entrar.

Fatos reais. Muita gente boa derrapa aqui. Preste atenção: todo fato é, por definição, real. Sendo assim, diga só fatos.

Ganhar de graça. Quem ganha recebe sem pagar, de graça. Logo, diga apenas: ganhei; ou ganhou.

Gritar alto. Grito já pressupõe a voz elevada, certo? Então, apenas gritar já traduz o que você quer dizer.

Há muitos anos atrás. Esse então… Olha só: o verbo haver, indicando tempo decorrido, já remete ao passado. Sendo assim, use: há muitos anos.

Na minha opinião pessoal. Note: se é sua opinião, automaticamente ela é pessoal. Portanto, diga apenas: na minha opinião.

Pequenos detalhes. Detalhes já são pequenos por natureza. Dessa forma, use apenas detalhes.

Repetir de novo. Já reparou? Quem repete algo já está fazendo aquilo novamente. Então, use apenas repetir.

Sair para fora. O verbo sair já dá a dica: quem sai vai para fora, certo? Portanto, use apenas sair.

Subir para cima. Mesma ideia: quem sobe, sobe para cima. Use apenas subir.

Surdo dos ouvidos. Já ouviu esse? Pois é: diga apenas surdo.

Agora, quero dar destaque a duas expressões que não são exatamente pleonasmos, mas que muitas vezes podem soar como. Por isso, é preciso prestar atenção ao usá-las.

Habitat natural. Na maioria dos casos, basta dizer habitat. Entretanto, alguns gramáticos aceitam a expressão habitat natural quando se pretende diferenciá-lo de um habitat artificial ou modificado pelo homem. Ou seja, depende do contexto.

• Vítima fatal. Na verdade, nesse caso há uma impropriedade de linguagem. Preste atenção: quem é fatal é o acidente, não a vítima. Sendo assim, prefira dizer: o acidente foi fatal ou o acidente fez vítimas, quando a referência for às pessoas que morreram em decorrência do acidente. Combinado?

Bem, vou terminando por aqui. Nosso próximo grande evento são as eleições, certo? De verdade, espero que não continuemos a chover no molhado. Afinal, reeleger um presidente que mostra o dedo em público para exemplificar sua indignação com sei lá o quê… por favor. Isso, sim, é insistir em algo que não dá mais.

Um abraço e até a próxima!

Verônica Bareicha ama palavras e letrinhas desde sempre. Há vinte e tantos anos atua como revisora, redatora e ghostwriter. É pós-graduanda em Jornalismo Digital pela FAAP; pós-graduada em Mercado Editorial pela PUC-Rio e graduada em Letras, pelo Unasp-EC. Deseja neste espaço compartilhar o amor e dicas da língua portuguesa de forma leve, bem-humorada e divertida.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erro

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