O poder das cartas
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O poder das cartas

Por Verônica Bareicha
14 de July, 2026
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Imagem da Notícia: O poder das cartas

Verônica Bareicha - 14/07/2026 11h59

O poder das cartas (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay

Você já escreveu uma carta? Ou recebeu uma? Sem querer entregar a minha idade; risos; preciso confessar que já escrevi inúmeras cartas… para amigos, namorados, familiares. E até para rapazes por quem me interessei, mas a quem não podia me declarar. Então, o que eu fazia? Mandava cartas de amor sob pseudônimo. Mais risos… Viajei no tempo agora.

Mas escrever uma carta sempre foi assunto sério. Até porque, essa é uma forma de comunicação que atravessou séculos, sobreviveu às transformações tecnológicas e continua ocupando um lugar especial na história da humanidade. Não por acaso, as cartas deram origem a um gênero literário próprio: o epistolar.

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Quem estuda a Bíblia conhece muito bem as epístolas de Paulo, Pedro, Tiago, João e Judas. Todas elas foram escritas com uma estrutura padrão:
• Abertura, com identificação do remetente e destinatários;
• Saudação; com um rápido cumprimento; geralmente um agradecimento ou elogio a quem recebia a carta;
• Mensagem central, ou o corpo do texto, contendo lições de teologia, mas também conselhos sobre a vida cristã de forma prática.
• E o encerramento.

Essas epístolas bíblicas ultrapassaram seu tempo e continuam ensinando milhões de pessoas quase dois mil anos depois; tal é o poder das palavras contidas nelas.

A literatura também descobriu cedo a força desse recurso. Obras como Drácula, de Bram Stoker; A Cor Púrpura, de Alice Walker; e Carrie, a estranha, de Stephen King, utilizam as cartas para construir suas narrativas, aproximando o leitor dos sentimentos, dos conflitos e da intimidade de seus personagens. Claro que há livros mais recentes que também são fundamentados nesse estilo.

Mas por que resolvi falar sobre cartas justamente hoje? Porque, neste fim de semana, uma simples carta voltou ao centro do debate nacional. E isso me fez lembrar de uma velha verdade: palavras podem ser muito mais poderosas do que imaginamos…

A carta a que me refiro, você já deve imaginar qual é, foi escrita pelo ex-presidente Bolsonaro ao povo brasileiro e lida por seu filho, e também advogado, Flávio. Quem assistiu ao vídeo no qual ela foi divulgada ficou feliz, embora, tenha pensado que ele poderia ter dito mais coisas.

No entanto, o interessante foi notar a rápida reação que a carta gerou. Primeiro, políticos do espectro contrário fizeram denúncias, pedindo que Bolsonaro permaneça incomunicável. Depois, o próprio ministro do STF fechou o tempo com quem divulgou a mensagem, proibindo o filho e advogado de contato com o emissor da carta.

Não vou entrar aqui no mérito do certo ou errado, do que a Constituição Brasileira permite ou não. Até porque, muitas pessoas já estão fazendo isso. Mas já que minha área é português e literatura, por extensão, queria só lembrar que, recentemente, foi lançado um livro, Cartas para Lula, que teve sua primeira edição esgotada rapidamente. O conteúdo da obra foram cartas escritas a outro ex-presidente que também ficou preso. E, detalhe, a população escreveu e as cartas chegaram até ele.

Ainda, enquanto Lula esteve preso, ele também se comunicou por cartas. E elas foram lidas por advogados, correligionários, e o candidato que ele mesmo apontou para substituí-lo na corrida à Presidência.

Lembro desses fatos, porque enquanto Bolsonaro esteve preso na Papudinha, em Brasília, a população enviou cartas também. Mas elas não foram aceitas, retornaram. E agora, nem ele pode enviá-las… por isso, questiono: qual é o poder que há nas cartas?

O que quero propor hoje é: embora possa parecer obsoleto em tempos de internet, vamos escrever cartas? Se elas têm tanto poder em virtude da mensagem que carregam, vamos nos “dar ao trabalho” de enviá-las?

Escrever sem ofensas, com palavras de respeito, expressando nossa indignação, talvez, mas, acima de tudo, defendendo aquilo que consideramos justo, correto e verdadeiro. Porque, enquanto houver quem tema palavras escritas, as cartas jamais estarão ultrapassadas. De verdade, eu acredito nisso.

Sendo assim, quem sabe possamos escrever aos ministros, aos políticos, às autoridades, questionando, expondo ideias, fazendo pedidos. Talvez, daqui a alguns anos, essas cartas também façam parte da história do nosso país.

Fica aí a minha ideia e a minha proposta. Pense nisso!

Um abraço e até a próxima!

Verônica Bareicha ama palavras e letrinhas desde sempre. Há vinte e tantos anos atua como revisora, redatora e ghostwriter. É pós-graduanda em Jornalismo Digital pela FAAP; pós-graduada em Mercado Editorial pela PUC-Rio e graduada em Letras, pelo Unasp-EC. Deseja neste espaço compartilhar o amor e dicas da língua portuguesa de forma leve, bem-humorada e divertida.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erro

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