Quantas outras Helenas ainda serão vítimas desses monstros?
Magno Malta - 17/07/2026 09h53
(Imagem ilustrativa) Foto: PixabayA pergunta que precisa ser feita é dura, mas necessária: quantas outras crianças precisarão ter suas vidas destruídas antes que o Brasil encare a pedofilia como uma emergência nacional?
A pedofilia é um dos crimes mais covardes e repugnantes que existem. Não existe relativização. Não existe desculpa. Não existe espaço para silêncio ou omissão. Criança não é objeto, não é propriedade de ninguém, não é alvo de criminosos. Criança precisa ser protegida.
Todos os dias, o Brasil se depara com histórias que revelam o lado mais sombrio da natureza humana. São crianças violentadas, abusadas, exploradas e, em muitos casos, assassinadas por criminosos que não enxergam uma vida, mas apenas um objeto para satisfazer um desejo criminoso e destruidor.
Como alguém que há décadas levanta essa bandeira, eu não poderia me calar diante do caso da pequena Helena. Um anjo que representa tantas outras crianças que sofrem em silêncio, muitas vezes dentro do próprio ambiente familiar, justamente onde deveriam encontrar proteção, amor e segurança.
Mas essa luta não começou agora. Há mais de 20 anos, quando presidi a CPI da Pedofilia no Senado, nós enfrentamos uma realidade que muitos tentavam esconder. Aquela CPI trouxe luz para uma rede criminosa que precisava ser revelada, investigou a exploração sexual infantil, inclusive no ambiente digital, e ajudou o Brasil a avançar no combate a esse tipo de crime.
Entre os resultados daquele trabalho, tivemos avanços importantes no fortalecimento dos mecanismos de investigação, na responsabilização dos criminosos e na proteção das crianças e adolescentes.
Só que o mundo mudou. A tecnologia avançou. E os criminosos também aperfeiçoaram suas formas de atuação.
Hoje, esses covardes utilizam redes sociais, aplicativos, plataformas digitais e novas ferramentas para aliciar, manipular e explorar crianças. Eles se escondem atrás de uma tela, mas deixam marcas profundas e permanentes na vida das vítimas.
Os números mostram a gravidade dessa nova realidade. Segundo o relatório Disrupting Harm no Brasil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia, publicado em 2025 pelo UNICEF Innocenti, em parceria com a ECPAT Internacional e a INTERPOL, aproximadamente uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos sofreu violência sexual facilitada pela tecnologia em um período de 12 meses. O dado representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos atingidos por esse tipo de violência no ambiente digital.
Também convivemos com milhares de registros anuais de violência sexual contra crianças e adolescentes. Crimes que acontecem em diferentes ambientes, inclusive dentro do próprio lar, muitas vezes praticados por pessoas que deveriam ser fonte de cuidado e proteção.
Cada número representa uma vida marcada. Não são apenas estatísticas. São crianças que tiveram a inocência roubada, famílias destruídas pela dor e uma sociedade que precisa romper o silêncio e assumir a responsabilidade de proteger quem mais precisa.
Por isso, desde o início deste meu mandato, tenho lutado pela instalação de uma nova CPI da Pedofilia, porque essa é uma necessidade urgente do Brasil.
O requerimento para a criação da comissão foi apresentado, mas a instalação ainda enfrenta entraves para o início dos trabalhos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encaminhou a questão para que as lideranças partidárias façam as indicações dos integrantes da comissão, e o processo permanece travado.
Enquanto isso, o tempo passa. E criminosos continuam agindo. Até quando? Quantas Helenas ainda precisarão ser violentadas, abusadas e mortas para que o Brasil compreenda que não estamos diante de um crime comum?
Estamos falando de uma guerra contra aqueles que atacam nossas crianças. Contra criminosos que destroem vidas, roubam infâncias e deixam marcas que muitas vítimas carregam para sempre.
Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil.
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