Entre impostos e corrupção: O que realmente pesa no bolso do brasileiro
Magno Malta - 10/08/2026 16h00
Notas de Real (Imagem ilustrativa) Foto: PexelsEm ano eleitoral, a política se transforma em um grande palco de narrativas. Algumas são construídas a partir dos fatos; outras ganham força pelo modo como são apresentadas ao público. É nesse ambiente que o eleitor precisa olhar além da propaganda e observar o que está por trás de cada anúncio.
Dentro desse contexto, a chamada “taxa das brusinhas” é um exemplo disso. A Medida Provisória nº 1.357/2026, que trata da redução a zero do imposto de importação federal sobre compras internacionais de até 50 dólares, voltou ao centro das discussões justamente em um momento em que o calendário eleitoral começa a influenciar o debate político.
Não há dúvida de que qualquer medida capaz de aliviar o peso no bolso do brasileiro merece atenção. Quem vive a realidade do país sabe o quanto os impostos e o aumento do custo de vida apertam o orçamento das famílias.
Mas a questão vai além de uma compra pela internet.
O problema brasileiro não se resume ao valor de uma “brusinha”. Está em um modelo que arrecada muito, cobra caro do cidadão e, muitas vezes, entrega serviços públicos aquém do que a população espera. Está também na falta de respostas para velhos problemas que continuam afetando a vida das pessoas.
Afinal, o brasileiro quer saber onde está sendo aplicado o dinheiro que sai do seu bolso. Quer saúde funcionando, segurança, educação de qualidade e uma administração pública que respeite cada centavo arrecadado.
É justamente nesse ponto que precisamos discutir um problema maior e que poderá ser o calcanhar de Aquiles na reeleição de Lula: a corrupção sistêmica.
Ela não aparece apenas em grandes escândalos ou em atos praticados por uma única pessoa. A corrupção sistêmica se instala quando falhas de controle, interesses particulares e estruturas frágeis permitem que práticas inadequadas se repitam e prejudiquem o cidadão.
O Brasil já enfrentou episódios graves de corrupção e continua acompanhando investigações que envolvem diferentes áreas da administração pública. No governo atual, denúncias relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS, questionamentos sobre a aplicação de emendas parlamentares e outras apurações conduzidas por órgãos de controle reforçam a necessidade de transparência, fiscalização e responsabilidade na gestão dos recursos públicos.
Portanto, a discussão eleitoral não pode ficar presa a anúncios de ocasião ou medidas com efeito imediato. O eleitor precisa entender que uma ação pontual pode até chamar atenção, mas não substitui aquilo que realmente importa que é a capacidade de governar com seriedade e compromisso.
Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil.
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