Senão, se não e a sensação
Verônica Bareicha - 19/08/2026 10h03
Senão, se não e a sensação (Imagem ilustrativa) Foto: IA\Chat GPTAcho que você, querido leitor, já percebeu que gosto de contar histórias. Muitas vezes, apronto um texto apenas com conteúdo gramatical, mas, por não ter um gancho de um bom causo, não gosto dele e não o publico. Em algum momento, aprendi que as histórias conectam e ensinam… por isso, fico procurando por elas.
Semana passada, uma jornalista e comentarista econômica falou que os preços não estão caros, mas que muitos têm uma “sensação” de carestia quando vão ao supermercado. A frase da comunicadora me deu uma sensação de que, se me encontrasse com ela, não seria legal… Muito embora eu nem a conheça e só tenha ouvido sua opinião. Mas sabe, essa “sensação” de alguém estar dizendo que “sou burra” ou “desavisada” me deixou mordida.
A solução para a coluna de hoje veio da moça que nos ajuda aqui em casa. Ela estava ao celular com uma amiga e soltou:
— Ninguém tem dinheiro, não. Os meses andam muito longos. Se não economizar, a sensação é de que o tempo triplica, porque tudo acaba.
Pronto. Juntei as coisas: sensação com se não… por tabela, me lembrei de senão. E até de sinão, que nem entra nessa conversa, mas com o qual vivi um episódio.
E aí, você, caro leitor, sabe usar se não e senão? Claro, a sensação a gente deixa para outra hora.
Olha só: usamos “se não”, separado, quando puder ser substituído por “caso não” ou “quando não”.
Então, voltando à frase que exemplifiquei no início: “Ninguém tem dinheiro, não. Os meses andam muito longos. Se não economizar, a sensação…” Podemos dizer assim: “Se não (caso não) economizar, a sensação…” Ou ainda: “Quando não (se não) economizamos, a sensação…”
Mais alguns exemplos para ajudar a fixar:
• Se não (caso não) fizer o “L” novamente, pode ser que se volte a comer picanha.
• Se não (quando não) houver um aumento abusivo de preços, cara jornalista, o povo não fica com a sensação de carestia. Captou?
Já o “senão”, junto, usamos quando for equivalente, ou puder ser trocado por “a não ser”, “mas sim”, “caso contrário”, ou ainda quando for sinônimo de erro ou defeito.
Dessa forma:
• A carestia nada mais é do que “sensação”… segundo a jornalista, claro. Senão (caso contrário), estaríamos comprando aos montes.
• Não compete ao governo federal economizar, senão (mas sim) ao povo, que está cada vez mais endividado.
• Não havia um senão (erro ou defeito) na fala da jornalista.
E sim, contém ironia nos meus exemplos.
Sobre o “sinão” que mencionei no princípio do texto: ele foi escrito por uma aluninha, lá no começo da minha jornada profissional. Ela o escreveu numa prova justamente sobre esse conteúdo. Mas expliquei a ela que “sinão” é apenas o aumentativo de sino.
Então, fica a dica para você também: se a jornalista voltar a falar de “sensação de carestia” batemos um sinão bem imenso pra ela… só para falar que há erro em sua observação. Já o senão e o se não, espero que eu tenha ajudado você a não errar mais.
Um abraço e até a próxima!
Verônica Bareicha ama palavras e letrinhas desde sempre. Há vinte e tantos anos atua como revisora, redatora e ghostwriter. É pós-graduanda em Jornalismo Digital pela FAAP; pós-graduada em Mercado Editorial pela PUC-Rio e graduada em Letras, pelo Unasp-EC. Deseja neste espaço compartilhar o amor e dicas da língua portuguesa de forma leve, bem-humorada e divertida.
* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erroSe você encontrou erro neste texto, por favor preencha os campos abaixo. Sua mensagem e o link da página serão enviados automaticamente à redação do Pleno.News, que checará a informação.
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