Quando o pecado vira entretenimento
Renato Vargens - 10/09/2026 10h50
Homem com Ghostface beija jovem, na Bienal do Livro de São Paulo Foto: Print XDurante a Bienal do Livro de São Paulo, no estande da Editora Fruto Proibido, especializada em dark romance, um homem mascarado de Ghostface beijou jovens, simulou tapas, enforcamentos e poses eróticas.
Cenas como essas nos obrigam a perguntar quais devem ser os limites comportamentais de uma sociedade.
Na verdade, o episódio ocorrido na Bienal é um sintoma claro da putrefação da sociedade brasileira, em que a naturalização da violência e a banalização do sexo se tornaram entretenimento.
Quando um estande literário se transforma em cenário para simulações de enforcamento e abordagens sensuais, o limite entre ficção e realidade se torna indistinto e produz, sobretudo na juventude, malefícios significativos.
Se não bastasse isso, a normalização da erotização e da violência como formas de entretenimento contribui de modo decisivo para a desconstrução de valores que deveriam ser inegociáveis.
Definitivamente, vivemos em um tempo no qual práticas desse naipe não apenas desconstroem a dignidade do ser humano, mas também relativizam o que jamais deveria ser relativizado.
A questão é: a sociedade perdeu o freio ao descobrir que o pecado vende, que a sensualidade atrai e que a iniquidade produz engajamento.
Uma feira de livros deveria ser, em princípio, um espaço cultural no qual famílias, em contato com livros, fossem expostas à boa literatura, e não a episódios como esse.
Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 40 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É membro dos conselhos do TGC Brasil e do IBDR.
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