O pacote da bondade de Moraes
Magno Malta - 07/10/2026 10h48
Ministro Alexandre de Moraes Foto: Antonio Augusto/STFDepois das urnas, Brasília parece ter entendido um recado que não pode ser ignorado: o povo brasileiro deixou claro que não aceita excessos, desequilíbrios e a concentração de poder nas mãos de poucos. Há uma cobrança por respeito à independência entre os Poderes e pelos direitos garantidos na Constituição.
É nesse ambiente que surge o chamado “pacote da bondade de Moraes”.
Nos últimos dias, decisões envolvendo nomes que se tornaram símbolos do embate entre o Supremo Tribunal Federal e setores da direita chamaram atenção.
Processos foram arquivados, medidas foram revistas e Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, passou a cumprir pena em regime menos gravoso.
Débora se tornou um ícone para milhares de brasileiros que enxergaram no tratamento dado aos envolvidos no 8 de janeiro uma atuação marcada pelo excesso e pela falta de proporcionalidade.
Durante anos, alertei que o Brasil caminhava para uma perigosa concentração de poder. A chamada ditadura da toga, especialmente quando decisões individuais atingem a liberdade de expressão, o devido processo legal e direitos fundamentais, não pode ser tratada como algo normal em uma democracia.
Agora, depois do resultado das urnas, parece que alguns movimentos começaram a ser recalculados. Situação curiosa, mas previsível.
Não faço uma acusação sobre intenções. Faço uma leitura política aqui. Todo poder precisa compreender que autoridade sem legitimidade enfraquece as próprias instituições. E esse pessoal do STF sabe disso.
O Supremo Tribunal Federal possui um papel fundamental na democracia brasileira, mas nenhuma instituição está acima da avaliação da sociedade. A força de uma Corte não está apenas nas suas decisões, mas também na confiança que ela conquista dos cidadãos.
O que muitos brasileiros querem saber é: esse novo momento de “paz e amor” poderá alcançar outros casos que também geraram questionamentos? Poderá chegar, inclusive, ao caso do ex-presidente Jair Bolsonaro?
É óbvio que qualquer decisão sobre Bolsonaro dependerá dos caminhos jurídicos e processuais. Mas a história recente mostrou que decisões tomadas nos tribunais também produzem efeitos políticos e sociais.
E há um fato que ficou evidente no último domingo. O bolsonarismo deixou de ser apenas a figura de Jair Bolsonaro. Transformou-se em um movimento político forte, organizado e consolidado, com milhões de brasileiros que compartilham dessa visão de país.
E é isso que estamos vendo. O Brasil mudou. As urnas deram um recado. Existe uma parcela significativa da população indignada com a situação atual de nosso país.
Mas uma coisa é certa…o Brasil de hoje não é mais o Brasil do dia 3 de outubro.
Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil.
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