Liberdade religiosa sob vigilância: O risco de monitorar cultos e missas
Renato Vargens - 14/10/2026 15h24
Liberdade religiosa (Imagem ilustrativa) Foto: PexelsA Folha de S.Paulo publicou que, nas duas semanas que antecederam o primeiro turno, o grupo de pesquisa Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), juntamente com a organização More in Common, monitorou milhares de cultos e missas, país afora. O objetivo era identificar crimes eleitorais e menções políticas nos púlpitos religiosos.
Segundo a notícia, milhares de horas de áudio de cultos e missas transmitidas no YouTube foram analisadas, com o objetivo explícito de “identificar crimes eleitorais e menções políticas nos púlpitos”.
Espera aí, deixe-me ver se entendi: os pesquisadores monitoraram cultos e missas para averiguar se houve crime eleitoral, é isso?
Ora, desde quando alguém tem o direito de controlar o que se prega e fala numa igreja?
Infelizmente, para algumas pessoas, se um pastor ou padre pregar sobre valores morais, aspectos relacionados à família, defesa da vida, justiça ou o papel do cristão na sociedade, comete envolvimento político ou crime eleitoral.
Caro leitor, vale a pena salientar que um pastor ou padre que cita um governante, ou mesmo comenta uma lei à luz das Escrituras, não comete crime algum.
Ademais, é mister que entendamos que a liberdade religiosa, além de proteger a crença íntima de cada cidadão, protege o culto sem a vigilância do Estado ou de terceiros.
Por fim, tais ações trazem consigo questionamentos que precisam de respostas:
— Como os áudios foram obtidos?
— Os pastores e padres souberam disso?
— Houve consentimento por parte das igrejas?
— Quem definiu os critérios do que seria “crime” ou “menção indevida”?
O mais grave é que, se hoje monitoram púlpitos para flagrar falas “políticas”, amanhã o mesmo método pode servir a qualquer governo, grupo ou ideologia que queira intimidar comunidades religiosas pelo simples fato de não “rezarem” segundo suas cartilhas políticas.
Que Deus nos ajude e nos proteja!
Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 40 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É membro dos conselhos do TGC Brasil e do IBDR.
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