Sou eu que agradeço ou sou eu quem agradece?
Verônica Bareicha - 26/05/2026 09h49
Dúvida (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/AI25.StudioDia desses, lembrei que, assim que me formei em Letras, um amigo meu sempre me perguntava: “Verô, usamos que ou quem? Fui eu que falei? Ou fui eu quem falou?”
Naqueles primeiros dias, eu tremia e suava diante de perguntas assim. Na verdade, considerava um verdadeiro abuso. “Eu tenho que saber só porque me formei em português?”, pensava… Mas é claro que, para um amigo, eu não ia responder grosseiramente, não é? E hoje, pensando em tudo isso, de verdade, espero ter respondido corretamente naquela época.
Mas me recordei desses questionamentos porque, semana passada, agradeci a alguém e essa pessoa me respondeu: “De nada; sou eu quem agradeço”.
E aí eu pergunto: o certo é “sou eu que agradeço” ou “sou eu quem agradeço”? Qual é a forma correta de dizer e escrever? Você sabe?
A boa notícia é: as duas formas estão corretas. No entanto, há alguns detalhezinhos que podem nos ajudar a usar que e quem sempre corretamente. Preste atenção, sim?
Quem é um pronome que gosta de pessoas. Guarde a dica: quem ama pessoas. Sempre que aparece, ele se refere a alguém. Veja só: “Quem chegou?”. Claro que a resposta será relativa a uma pessoa, certo? “Quem chegou foi Joana”.
Sendo assim, podemos dizer: Sou eu quem agradeço. É ele quem agradece a gentileza. Somos nós quem agradecemos o convite. Captou?
Agora, um detalhe importante: com quem, o verbo também pode permanecer na 3ª pessoa do singular. Dessa forma, também estão corretas frases como: Sou eu quem agradece. É ele quem agradece. Somos nós quem agradece o convite.
E o pronome que? Como usamos?
Use que quando ele se referir a coisas, lugares, ideias ou pessoas.
Por exemplo: “Está aqui o livro que eu li”. Ou: “Foi naquele parque que o encontrei pela primeira vez”. Ainda: “O projeto que você apresentou é fantástico!”. E, por fim: “O rapaz que estava comigo na igreja ontem é meu namorado”.
No fim das contas, não é tão complicado assim, vai? Para acertar sempre, basta lembrar que o quem gosta de pessoas e que o que é mais versátil, podendo aparecer em outros contextos.
Agora me conte: você também tinha essa dúvida ou sou eu quem exagera nas paranoias do português?
Um abraço e até a próxima!
Verônica Bareicha ama palavras e letrinhas desde sempre. Há vinte e tantos anos atua como revisora, redatora e ghostwriter. É pós-graduanda em Jornalismo Digital pela FAAP; pós-graduada em Mercado Editorial pela PUC-Rio e graduada em Letras, pelo Unasp-EC. Deseja neste espaço compartilhar o amor e dicas da língua portuguesa de forma leve, bem-humorada e divertida.
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