Vacina contra herpes-zóster pode ajudar no Alzheimer?
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Vacina contra herpes-zóster pode ajudar no Alzheimer?

Por Noé Alvarenga
08 de June, 2026
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Imagem da Notícia: Vacina contra herpes-zóster pode ajudar no Alzheimer?

Noé Alvarenga - 08/06/2026 12h34

Vacina (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Nataliya Vaitkevich

Cada vez mais pacientes vêm me procurando com uma solicitação bastante inusitada: saber se podem tomar a vacina contra herpes-zóster, conhecida comercialmente como Shingrix®.

Quando eu pergunto o motivo dessa súbita – e inédita – vontade de se vacinar, a resposta costuma ser a mesma: muitos leram reportagens ou assistiram a vídeos comentando estudos recentes que observaram uma possível associação entre a vacinação contra herpes-zóster e um menor risco de desenvolvimento de demência, incluindo a doença de Alzheimer.

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A pesquisa mais comentada analisou milhões de registros de saúde e observou que indivíduos vacinados contra herpes-zóster apresentaram aproximadamente 20% menos diagnósticos de demência ao longo de sete anos de acompanhamento quando comparados aos não vacinados.

Mas aqui cabe uma observação importante: correlação não significa causalidade. Em outras palavras, o fato de duas coisas acontecerem juntas não significa necessariamente que uma seja a causa da outra. Pessoas que se vacinam costumam, por exemplo, ter maior acesso aos serviços de saúde, realizar mais exames preventivos e adotar hábitos mais saudáveis. Tudo isso pode influenciar os resultados observados pelos pesquisadores.

Também, vale a pena destacar que essa não é a primeira vez que pesquisadores observam uma associação entre vacinação e um menor risco de demência. Estudos anteriores já haviam encontrado resultados semelhantes com vacinas como a da gripe e a pneumocócica.

Isso levou alguns cientistas a levantar a hipótese de que a proteção cerebral observada possa não estar relacionada apenas à prevenção de uma doença específica, mas também aos efeitos mais amplos da vacinação sobre o sistema imunológico e a inflamação ao longo da vida.

Ainda é importante lembrar que, a vacina contra o herpes-zóster já é recomendada principalmente para pessoas com 50 anos ou mais e para determinados grupos populacionais com maior risco de complicações relacionadas ao herpes-zóster.

Isso significa que, mesmo que futuramente se descubra que não existe efeito protetor contra a demência, a vacinação continua trazendo benefícios importantes dentro das indicações já reconhecidas. E, caso estudos futuros confirmem uma proteção adicional para o cérebro, esse seria um benefício extra – um “plus a mais”, por assim dizer.

Por fim, enquanto aguardamos os resultados dos estudos, eu, que estou próximo a completar 58 primaveras, já me vacinei – e você?

Dr. Noé Alvarenga é médico nutrólogo no Rio de Janeiro, com foco em obesidade, emagrecimento e longevidade. Escreve sobre metabolismo, GLP-1 e hábitos de vida saudáveis, sempre com base nas evidências científicas mais atuais.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erro

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