Minha indignação com o perdão judicial a Monique Medeiros
Marisa Lobo - 08/06/2026 11h01
Monique Medeiros Foto: Brunno Dantas - TJRJConfesso que recebi com profunda indignação a notícia do perdão judicial concedido a Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, brutalmente assassinado em um dos crimes que mais chocaram o Brasil.
Enquanto o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, foi condenado a uma pena severa, bem merecida, a decisão que absolve judicialmente a mãe da criança levanta questionamentos legítimos sobre a mensagem que estamos transmitindo à sociedade.
Vivemos em um país onde milhares de crianças são vítimas de abuso, violência e negligência. Todos os dias profissionais da saúde, psicólogos, assistentes sociais, conselheiros tutelares e defensores da infância lutam para conscientizar a população sobre a responsabilidade dos adultos em proteger aqueles que não podem se defender sozinhos.
O pequeno Henry Borel não morreu de forma repentina ou imprevisível. O processo apontou um histórico de agressões e sinais de violência. Por isso, é impossível não refletir sobre o dever de proteção que recai sobre pais e responsáveis.
A Justiça deve ser técnica, imparcial e comprometida com os fatos. Quando decisões judiciais passam a ser justificadas por argumentos que parecem mais próximos de militância ideológica do que da necessária proteção integral da criança, a sociedade tem o direito de questionar. O debate público não pode ser interditado quando se trata da defesa da infância.
O sofrimento de uma mãe que perde um filho é inegável. Porém, a dor não pode automaticamente apagar a discussão sobre responsabilidades. Se queremos uma sociedade que realmente proteja crianças, precisamos afirmar com clareza que o dever de cuidado é um dos pilares mais importantes da maternidade e da paternidade.
A sensação que fica para muitos brasileiros é a de que Henry foi novamente esquecido. E isso é particularmente doloroso para todos aqueles que dedicam suas vidas à proteção da infância.
Nenhuma ideologia, nenhuma narrativa e nenhuma interpretação subjetiva pode estar acima do princípio fundamental de que toda criança tem direito à proteção integral. Que a memória de Henry continue nos lembrando daquilo que jamais podemos relativizar: a defesa das crianças deve estar acima de qualquer interesse político, ideológico ou circunstancial.
Marisa Lobo atua como psicanalista, é pós-graduada em Psicanálise; Gestão e Mediação de Conflitos; Educação de Gênero e Sexualidade; Filosofia de Direitos Humanos e Saúde Mental; tem também habilitação para magistério superior.
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