Janones: O general de Lula e seu esgoto digital
Rafael Durand - 22/10/2026 16h19
Janones, o “general” de Lula Foto: Ricardo StuckertNa reta final deste segundo turno, o vaivém no Tribunal Superior Eleitoral em torno do canal de WhatsApp Exército do Lula, que reúne mais de 7 milhões de participantes sob o comando do deputado federal André Janones (Rede-MG), escancarou o retrato moral definitivo do atual projeto de poder petista.
Após o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspender o canal a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e posteriormente autorizar sua retomada, a campanha de Lula decidiu registrá-lo formalmente na Corte.
Com esse ato, caiu a última máscara: o lamaçal deixou de ser a iniciativa paralela de um aliado descontrolado e passou a integrar, oficialmente, a máquina de campanha do presidente da República.
O significado político disso é devastador: a esquerda brasileira (com seus intelectuais, artistas, movimentos sociais e militantes) está hoje marchando e agindo sob as ordens diretas de uma figura moralmente abjeta.
Ora, o histórico de Janones, cravado em inquéritos policiais, decisões judiciais e em suas próprias confissões, forma um prontuário repulsivo que qualquer grupo minimamente comprometido com a decência pública teria vergonha de exibir.
Mas para tentar vencer a eleição de 2026 no vale-tudo, o PT não apenas tolerou esse perfil, como entregou a ele o bastão de general.
A rachadinha confessada e o acobertamento da esquerda
Em novembro de 2023, o país ouviu os áudios em que Janones cobrava parte dos salários de seus assessores para abater dívidas de sua campanha de 2016 à Prefeitura de Ituiutaba, lamentando ganhar R$ 25 mil e ter de destinar R$ 15 mil a esses débitos.
Acusado por ex-assessores de comandar um esquema de rachadinha, viu o ministro Luiz Fux autorizar a abertura de inquérito a pedido da PGR em dezembro daquele ano, ocasião em que o deputado prometeu provar sua “inocência cabal”.
A investigação avançou, e a farsa da inocência desmoronou…
Em setembro de 2024, a Polícia Federal (PF) indiciou Janones por associação criminosa, peculato e corrupção passiva, revelando evolução patrimonial incompatível e o uso do cartão de crédito de um assessor para bancar gastos pessoais do parlamentar.
Para escapar do banco dos réus, Janones assinou, em março de 2025, um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a PGR, obrigando-se a devolver R$ 131,5 mil aos cofres da Câmara e a pagar multa de R$ 26,3 mil (20% do dano ao erário).
No documento, admitiu que, por estar com o nome negativado, tomou o cartão de crédito de um subordinado para despesas particulares entre 2019 e 2020 e deixou as faturas nas costas do servidor, sem ressarcimento.
Cinicamente, soltou nota dizendo que jamais admitiu rachadinha. Contudo, o artigo 28-A do Código de Processo Penal é taxativo: não existe ANPP sem a confissão formal e circunstanciada da prática de infração penal.
Mais vergonhoso ainda foi o papel da esquerda: em junho de 2024, o Conselho de Ética da Câmara absolveu Janones por 12 votos a 5 sob a relatoria de Guilherme Boulos (PSOL-SP), que passou pano alegando que os fatos seriam anteriores ao mandato.
Meses depois, o relatório da PF cravou que a sangria começou em 2019, já no exercício do cargo, e o próprio Janones desmentiu seus defensores ao confessar o crime para fechar o acordo.
Chantagem íntima, Lei Maria da Penha e o silêncio feminista
A abjeção não se limita ao dinheiro público, pois avança para a covardia pessoal.
Em dezembro de 2024, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais concedeu medidas protetivas, com base na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), para proteger a prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes, ex-companheira e ex-assessora de Janones.
Conforme a ação judicial, o deputado teria ameaçado vazar fotos e vídeos íntimos da época do relacionamento para intimidá-la e destruir sua reputação, sendo que uma dessas imagens teria sido enviada a um secretário municipal para chantageá-la a demitir uma aliada.
O juiz apontou contexto de violência psicológica e moral, proibindo Janones de divulgar imagens, de contatá-la e de chegar a menos de 300 metros da vítima, decisão prorrogada em janeiro de 2025.
Embora ainda não haja condenação definitiva e o deputado alegue “armação do bolsonarismo”, o fato é que o Poder Judiciário precisou intervir para proteger uma mulher das investidas de um deputado federal.
Neste sentido, a pergunta que cala a militância progressista é inevitável: onde estão as feministas do PT e do PSOL? A violência psicológica contra a mulher, crime previsto no artigo 147-B do Código Penal (Lei nº 14.188/2021), deixa de ser abominável quando o agressor sob medida protetiva é o chefe da tropa digital de Lula?
Humilhação de subordinados: “Vermes” e “doentes mentais”
Dentro do gabinete, a conduta é igualmente degradante. Em 2023, vieram a público capturas de tela do grupo de WhatsApp de sua equipe, nas quais Janones tratava seus próprios funcionários como “burros”, “vermes”, “analfabetos funcionais” e “doentes mentais”.
O ex-assessor Fabrício Oliveira denunciou abertamente o terror psicológico, o assédio moral e as ameaças que sofreu durante anos de trabalho.
Em 2025, a barbárie parlamentar rendeu a Janones a suspensão de seu mandato por três meses pelo Conselho de Ética, devido às agressões contra o deputado Nikolas Ferreira. Na vida de Janones, a truculência não é um deslize, mas a sua natureza em estado bruto.
A delinquência digital como método de campanha
É exatamente essa mentalidade que hoje dita as ordens para a militância de esquerda. Em março deste ano, Janones anunciou em vídeo que iria “descer o nível” e usar o sensacionalismo contra Flávio Bolsonaro.
De fato, cumpriu a promessa: xingou o senador de “vagabundo”, “idiota” e “verme”, e, ao ser acionado por injúria no STF, desafiou a Justiça dizendo que continuaria a chamá-lo de “bandido, miliciano e ladrão”.
Em agosto, teve o desplante de confessar ao SBT News que faria campanha para Lula espalhando “meias verdades”.
O modus operandi é velho conhecido da Justiça Eleitoral. Em 2022, quando o ministro Paulo de Tarso Sanseverino determinou a exclusão de postagens falsas e manipuladas de Janones sobre o piso da enfermagem, o deputado deu uma desculpa que resume sua covardia: disse que apenas “deixou uma fala no ar”.
Ademais, lançou a mesma sujeira em agosto deste ano, após uma invasão fraudulenta no sistema do TSE transferir a filiação de Flávio Bolsonaro do PL para o partido Missão.
Mesmo com o TSE corrigindo a falha e acionando a PF para investigar o ataque hacker, Janones cravou nas redes que “o próprio Flávio pagou alguém” para fraudar o sistema, para depois, diante das câmeras de TV, recuar dizendo que “não estava cravando”. A calúnia corre solta para milhões de pessoas, no entanto, o recuo cínico fica no rodapé.
A ficha corrida de condenações e remoções no TSE é extensa: postagens excluídas em 2022 por mentiras sobre cortes no salário-mínimo e nas aposentadorias (com alerta do então corregedor Benedito Gonçalves sobre o uso de seu alcance para disseminar material sem verificação).
Já em junho de 2026, foram decisões do ministro André Mendonça derrubando vídeos em que Janones tentava ligar Flávio Bolsonaro a milícias, ao tráfico e ao assassinato de Marielle Franco sem qualquer lastro na realidade.
Ao anunciar que opera com “meias verdades”, o general de Lula rasga publicamente o artigo 9º da Resolução TSE nº 23.610/2019 (que exige verificação prévia da fidedignidade das informações) e pisa sobre o artigo 323 do Código Eleitoral, que tipifica como crime a divulgação de fatos sabidamente inverídicos.
Não por acaso, no canal Exército do Lula, a denúncia é de que cerca de 499 publicações e comandos de ataque foram sistematicamente apagados logo após os disparos em massa para burlar a fiscalização judicial. Ou seja, uma manobra de queima de arquivo digital cujos riscos foram apontados pela própria área técnica do TSE.
A falência moral da esquerda brasileira
O caso Janones vai muito além da biografia de um parlamentar rasteiro, pois ele é o espelho sem retoques da esquerda brasileira em 2026.
Os mesmos partidos que passaram anos exigindo a censura das redes sociais em nome do “combate à desinformação” hoje batem continência para um difamador confesso.
Os que usam as mulheres como palanque promovem um homem enquadrado na Lei Maria da Penha.
Os que gritavam contra rachadinhas blindaram um operador de peculato que precisou devolver mais de R$ 130 mil à Câmara para não ser processado.
Até a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, que nasceu posando de vestal da “nova ética”, festejou a filiação de Janones em suas fileiras.
Nas urnas de Minas Gerais, onde o deputado é conhecido de perto, o povo já aplicou o devido corretivo: Janones despencou de quase 239 mil votos em 2022 para cerca de 79 mil em 2026, perdendo dois terços de seu eleitorado. Rejeitado pelo voto popular, foi recolhido e promovido por Lula ao posto máximo de estrategista da guerra suja no segundo turno.
Povo brasileiro, um projeto político não se mede pelas poesias que escreve no papel, mas pelo caráter daqueles a quem entrega o comando de suas tropas. Ao se submeter às ordens de uma personalidade tão abjeta quanto André Janones, a esquerda brasileira confessa ao país que não possui qualquer limite ético ou moral para se agarrar ao poder.
Portanto, neste domingo (25), caberá ao eleitor brasileiro dar a resposta final nas urnas e mostrar que o Brasil não será governado pelos métodos do esgoto!
Rafael Durand é advogado, mestre em Direito, pós-graduado em Direito Público e em Direito Digital, professor, membro do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) e da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-PB, fundador do NEPC3 – Núcleo de Estudos em Política, Cidadania e Cosmovisão Cristã, autor de artigos e obras jurídicas.
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