O Brasil não suporta mais quatro anos de Lula
Rafael Durand - 23/10/2026 11h34
Lula, durante ato com apoiadores, em Belo Horizonte Foto: Ricardo StuckertNeste domingo (25), quando o cidadão brasileiro digitar o seu voto na urna eletrônica, não estará decidindo apenas quem ocupará a cadeira presidencial pelos próximos quatro anos. O que está em jogo neste segundo turno é a própria sobrevivência das liberdades individuais, da decência pública e do equilíbrio institucional do país pelas próximas três décadas.
Diante do que assistimos nesta última semana de campanha, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) representa um salto no escuro rumo ao aparelhamento absoluto do Estado.
Basta olhar para o noticiário dos últimos dias, para constatar que a velha atmosfera de escândalos que marcou as gestões petistas no passado voltou a rondar o coração do poder.
No último debate, e ao longo de toda a semana, o governo mostrou-se incapaz de explicar de forma convincente a revoltante farra dos descontos ilegais nos benefícios de aposentados do INSS, alvo da Operação Sem Desconto, que atingiu em cheio o sindicato (Sindnapi) do qual Frei Chico, irmão de Lula, é vice-presidente.
Como se não bastasse o avanço sobre o bolso dos idosos, pesam sobre o entorno presidencial os dois inquéritos na Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O filho de Lula é investigado por suspeitas de tráfico de influência e corrupção junto ao Ministério da Saúde e à Dataprev, em um escândalo que ganhou contornos ainda mais graves após fatos recentemente confirmados por sua própria sócia, Roberta Luchsinger, incluindo viagens de jatinho com o lobista conhecido como “Careca do INSS”.
Soma-se a isso o nebuloso caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, marcado por reuniões fora da agenda oficial e cancelamentos suspeitos de depoimentos na PF.
Encurralado, Lula tentou encenar transparência no TSE desafiando Flávio Bolsonaro (PL) a abrir seus sigilos, mas entregou documentos retidos e incompletos, ou seja, uma manobra tão grosseira que levou a campanha de oposição a convocar o ex-procurador da Lava Jato e senador eleito Deltan Dallagnol para auditar a farsa documental petista.
Quando faltam argumentos para defender a própria gestão, sobra o desespero autoritário.
Enquanto opera nos subterrâneos digitais grupos como o “Exército do Lula”, coordenado por André Janones à margem das regras eleitorais, a campanha petista teve a audácia de acionar o TSE a poucos dias da eleição pedindo a cassação e a inelegibilidade de Flávio Bolsonaro, além de R$ 7 milhões em impulsionamento, sob o pretexto delirante de que o algoritmo da Meta estaria “censurando” a esquerda.
Não é o algoritmo que rejeita o PT: é o povo brasileiro!
Para os cristãos e conservadores, o alerta é ainda mais dramático. Este é o mesmo ecossistema ideológico que assiste com simpatia ao cerco crescente contra a fé: seja pela ação do PSOL no STF (ADI 7996) tentando impor a ideologia de gênero nos banheiros das igrejas, seja pela intimidação do Ministério Público contra pastores em Santa Catarina, seja pelo escandaloso monitoramento de mais de 7.400 missas e cultos feito pela UFRJ e pela ONG More in Common para caçar “crimes eleitorais” palavra por palavra nos sermões: como já disse em artigo, uma vigilância orwelliana comparável às práticas de regimes autoritários, como o chinês.
Mas o xeque-mate contra a liberdade está guardado para o dia seguinte à eleição, e atende pela sigla STF.
O próximo presidente da República terá o poder de indicar quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal até 2030 (remodelando mais de um terço da Corte), além de nomear 16 novos ministros nos demais Tribunais Superiores (STJ, TST e STM).
A matemática é implacável: além da cadeira já vaga pela aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso (cuja primeira tentativa de Lula, indicando o AGU Jorge Messias, foi barrada pelo Senado), abrirão vagas por idade limite as cadeiras de Luiz Fux, Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030).
Como bem alertou o candidato Flávio Bolsonaro nesta semana, não podemos permitir que Lula coloque mais quatro nomes com o perfil autoritário de Alexandre de Moraes ou com a militância ideológica de Flávio Dino na Suprema Corte.
Ora, se o PT tiver a caneta para aparelhar definitivamente o STF por 30 anos, de nada adiantará termos elegido um Congresso Nacional conservador.
Pautas como a liberação do aborto e das drogas, a censura definitiva às redes sociais, a criminalização da pregação bíblica e a asfixia das igrejas serão impostas por ativismo judicial, sem que reste ao cidadão a quem recorrer.
Diante de um cenário tão grave, a isenção, a preguiça ou o voto nulo configuram verdadeiro suicídio cívico.
Como disse o pastor batista e ativista pelos direitos humanos Dr. Martin Luther King Jr.:
O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.
Ora, não há comunhão possível entre a defesa da liberdade e um projeto de poder que flerta com a censura, convive com o assalto a aposentados e sonha em algemar os púlpitos.
Portanto, neste domingo, o Brasil tem um encontro com o seu destino: ou escolhemos resgatar a República, a justiça e a paz para as nossas famílias, ou assinaremos uma sentença de 30 anos de servidão!
Rafael Durand é advogado, mestre em Direito, pós-graduado em Direito Público e em Direito Digital, professor, membro do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) e da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-PB, fundador do NEPC3 – Núcleo de Estudos em Política, Cidadania e Cosmovisão Cristã, autor de artigos e obras jurídicas.
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