A grande jogada eleitoreira de Lula
Magno Malta - 15/10/2026 12h41
Lula Foto: Ricardo StuckertNeste segundo turno das eleições, tenho ouvido que Lula e seus aliados estão desesperados. E não é difícil compreender o motivo. O primeiro turno, com a vantagem de Flávio Bolsonaro nas urnas, revelou um sentimento de mudança na população que o governo preferia ignorar.
Nós, da direita, sabíamos que as investidas do adversário seriam intensas. Entretanto, o que chama a atenção é a velocidade com que pautas importantes no Congresso passaram a ser utilizadas como instrumentos eleitorais.
O exemplo mais evidente é a votação apressada do fim da escala 6×1. De repente, às vésperas da eleição, Lula descobriu que o trabalhador brasileiro precisa descansar. Depois de tantos anos no poder, resolveu demonstrar preocupação com quem trabalha muito, ganha pouco e enfrenta dificuldades para sustentar a família.
Mas não se enganem. Minha crítica não é ao descanso do trabalhador, e sim à utilização de uma reivindicação legítima como propaganda eleitoral.
Aliás, eu cresci vendo minha mãe trabalhar como faxineira em uma escola. Conheço o valor do trabalho e o peso do cansaço. Não preciso de Lula para me ensinar isso.
Dito isso, a pergunta que o governo evita responder é outra: como garantir esse direito sem comprometer empregos, renda e a sobrevivência dos pequenos empreendedores?
Afinal, reduzir a escala exige planejamento, regulamentação e medidas de transição. Não basta aprovar uma mudança e esperar que, por algum milagre, os custos desapareçam.
Nesse ponto, alguém pode me perguntar: mas, senador, se existem tantos riscos, por que a direita votou a favor?
A resposta é simples: porque o trabalhador merece descanso. Votei favoravelmente por reconhecer esse direito, mas defendi, durante a tramitação, responsabilidade econômica e regras que preservem empregos.
O problema é que o governo transformou um debate complexo numa armadilha política: quem questionasse os impactos seria imediatamente apresentado como inimigo do trabalhador.
Trata-se de uma estratégia conveniente. Primeiro, cria-se uma falsa divisão. Depois, Lula aparece como o grande salvador dos trabalhadores.
Ora, se a preocupação é tão genuína, por que o governo não demonstrou a mesma pressa para reduzir os encargos sobre a contratação, aliviar a carga tributária ou controlar os gastos públicos? Certamente, porque responsabilidade fiscal não rende vídeos emocionantes nem votos imediatos.
Enquanto isso, o Brasil enfrenta dificuldades econômicas, e milhares de pequenos empresários lutam para manter suas portas abertas. E mais, uma mudança mal regulamentada pode estimular a informalidade, pressionar preços e comprometer empregos. Ignorar esses riscos não é defender o trabalhador. É brincar com o futuro dele.
Por isso, é evidente que eventuais consequências negativas dessa medida terão de ser corrigidas, não para retirar direitos, mas para evitar prejuízos a quem trabalha e a quem gera empregos.
Vale lembrar que, em 2022, Lula prometia picanha. Em 2026, promete descanso. Mudou o produto, mas a estratégia eleitoral continua familiar: vender esperança sem explicar quem pagará a conta.
Em resumo, o trabalhador brasileiro não necessita de encenação política. Precisa de emprego, salário digno, poder de compra e tempo para viver com sua família.
Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil.
* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erroSe você encontrou erro neste texto, por favor preencha os campos abaixo. Sua mensagem e o link da página serão enviados automaticamente à redação do Pleno.News, que checará a informação.
Nome Completo E-mail Telefone Descrição do erro WhatsAppEntre e receba as notícias do dia
Entrar no Canal Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.