A ridícula intelectualidade petista
André Marsiglia - 12/10/2026 09h52
Petistas em ato pró-Lula Foto: EFE/Isaac FontanaLula está disposto a tudo para ganhar a eleição. Inclusive mobilizar artistas e intelectuais para dizer que só Lula é democrático, que seu adversário da direita é fascista e que sua vitória representaria o “golpismo”.
Tenho dificuldade de encontrar algum artista ou intelectual petista, com cérebro, que consiga me explicar como uma eleição democrática vencida pela direita pode ser um golpe. E, se a democracia que temos é uma mentira, a ponto de as urnas legitimarem um “golpe”, como dizer que Lula manterá a democracia, se não há democracia a ser mantida?
Se Flávio Bolsonaro pode concorrer, receber votos e ser eleito segundo as regras constitucionais, sua vitória é democrática. Se sua vitória é necessariamente um golpe, então a própria eleição e o governo Lula sob o qual ela ocorre deixam de ser democráticos.
O vale-tudo da intelectualidade petista parece não ter grande afeição pela coerência. Mas a contradição revela uma concepção peculiar de democracia: para o petismo, ela existe apenas quando a esquerda vence.
E por isso Lula pode recorrer ao medo enquanto acusa seus adversários de ameaçarem a democracia.
Pode espalhar informação falsa, como fez no episódio de Nossa Senhora Aparecida, e depois posar como combatente das fake news.
Pode convocar André Janones, cujo método político dispensa apresentações, para ajudar na campanha digital. Vale tudo. Ou, para lembrar expressão que o próprio Lula já usou em campanha, vale “fazer o diabo” para ganhar uma eleição.
Quando queria chegar ao poder, Lula dizia ao brasileiro para perder o medo. Seu slogan era “sem medo de ser feliz”. Artistas e intelectuais ridicularizavam os medrosos.
Décadas de poder petista depois, Lula diz ter consertado o país. Seria de esperar, portanto, que o país consertado fosse o antídoto ao medo. Mas não.
Para não passar o bastão, busca convencer o eleitor de que, sem ele, virá a catástrofe. Quer permanecer no poder produzindo exatamente o medo que dizia combater. E os mesmos artistas e intelectuais adestrados que ontem zombavam do medo hoje trabalham para fabricá-lo.
Nada disso é acidental. A esquerda brasileira não trata a democracia como um regime, mas como sua propriedade. Democrático é quem está do seu lado. Quem está do outro precisa provar permanentemente que merece participar do jogo. E só é aceito quando paga o pedágio e passa à esquerda, como fizeram Serra, Fernando Henrique e, mais recentemente, Alckmin.
O adversário da esquerda não precisa apenas respeitar as regras democráticas. Precisa ser autorizado por ela a existir politicamente. E a autorização só chega quando flerta com as ideias da esquerda. A democracia da esquerda só admite um vencedor. E democracia com um só vencedor é golpe.
André Marsiglia é advogado, professor de Direito Constitucional e especialista em liberdade de expressão.
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